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Argumento do prefeito Flávio Furtado, do PDT, para não deixar o governo do Maranhão levar comida aos moradores de Duque Barcelar é que a inauguração, neste final de semana, é muito próximo a eleição.

Lembram daquele senador pedetista que da tribuna do Senado Federal, na semana, “chorou” ao recordar que os maranhenses passam fome por falta de comida na mesa? Pois é… o mesmo político ordenou que um dos seus mais fieis aliados, manobre para barrar a inauguração de um Restaurante Popular – aparelho do governo do Estado que ajuda levar comida aos que mais precisam por todo o Maranhão.
Flávio Furtado, do PDT, prefeito do município de Duque Barcela, acreditem, atendeu ao pedido do senador Weverton Rocha que pertence ao mesmo partido dele e está usando a estrutura da prefeitura para criar embaraços e tentar impedir a abertura do Restaurante Popular na cidade.
Em uma nota publicada no seu perfil no Instragram na última sexta-feira (08) – com apenas duas curtidas e um comentário, o gestor bacelarense “cria pelos em ovos” ao justificar o motivo pelo qual não quer o Restaurante Popular em sua cidade.
Acreditem, o pedetista Flávio Furtado diz que “a prefeitura levou em consideração as proibições que constam na Lei Eleitoral nº 9504/97, entre elas, a cessão ou uso de bens públicos em benefício partido, candidato ou coligações, nos 03 (três) meses que antecedem o pleito eleitoral”.
O argumento do aliado do senador Weverton é uma pérola mesclada a verdadeira aberração. Como pode um prefeito não deixar chegar comida para seu povo porque simplesmente não é ele que está levando o benefício?! É na verdade, uma situação repugnante. Se fosse em outros países, o prefeito Flávio Furtado tinha sido preso imediatamente.
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Hemetério Weba comemora recebimento de apoio…
O ex-deputado estadual Hemetério Weba (PP) segue recebendo apoio na construção de seu projeto de retornar a Assembleia Legislativa. Nesta domingo está onde em Codó onde recebeu adesões de inúmeras lideranças locais.
Weba foi recebido com festa pelo grupo político do líder Paulinho Baião, juntamente com membros da Anbc (Associação novo Basketball Codó), Tenda Santa Rita, Santa Filomena, Tenda Espírito de Umbanda São João Batista, Fiel Codó e Membros do Clube Atlético mutirão.
Em meio ao encontro, foram discutido políticas públicas voltada para o município e também foi reafirmado o compromisso com a pré-candidatura de Hemetério a deputado estadual.
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Durante discurso de mais de seis minutos, o parlamentar justificou o motivo de acompanhar o governador Brandão para a reeleição e Flávio Dino para o Senado, e ao final disparou: “Estou aqui para agradecê-los, muito obrigado por tudo que vocês representam para nossa cidade”.
Na noite desta sábado (09) durante mais uma edição do “O Maranhão não pode parar” na cidade de Itapecuru, o deputado federal Marreca Filho (Patriotas) anunciou publicamente – pela primeira vez – seu rompimento político com o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) e a adesão ao projeto de reeleição do governador Carlos Brandão e Flávio Dino ao senado, nestas eleições.
O parlamentar que até dias atrás era aliado de primeira hora de Josimar é mais um que não aceitou a aliança PL/PDT e decidiu caminhar com a continuação do governo estadual.
“Quero dizer que é um orgulho para mim fazer parte desse time, um governo do estado que esteve presente durante todos esses anos aqui em nosso município. Eu tive a oportunidade ao lado do governador Flávio Dino e do secretário Felipe Camarão de entregar aqui Escola Digna, de entregar Farol da Educação, de Entregar Mais Asfalto, de receber de braços abertos o tão sonhado Restaurante Popular”, justificou deputado Marreca Filho.
Ainda de acordo com o parlamentar, o então governador Flávio Dino teve de se afastar e o vice-governador Carlos Brandão, desde o mês de abril, assumiu o governo e “chegou chegando”.
“Quando o Brandão assumiu ele chegou foi chegando no Maranhão inteiro, e em Itapecuru não foi diferente, são mais de 25 quilômetros de asfalto aqui em nossa cidade mandado pelo governo do estado. A tão sonhada estrada do Tigidor está sendo empiçarrada por completa e sendo feita”, bradou o deputado.
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O Blog do Domingos Costa recebeu na noite deste sábado (09) o histórico dos testes de Covid-19 realizados no período de janeiro a 09 de julho de 2022 no município de São José de Ribamar e descobriu que trata-se de uma grande fraude os números apresentados pelo prefeito Dr. Júlinho (PL) para justificar seu decreto sanitário visando a proibição da realização de festas ou qualquer tipo de evento que promova aglomerações na cidade pelo período de 16 dias (08 a 24 de julho).
No site da prefeitura (VEJA AQUI), a gestão municipal sustenta que “no mês de julho, por exemplo, foram detectados 542 casos positivos, em 2.200 testes realizados, no período de 1 a 7 de julho. Em 2022, somente com a onda de janeiro e fevereiro somou mais casos que os primeiros dias de julho, com 1.194 em fevereiro e 790 em janeiro.”
Porém, os números obtidos pelo Blog do DC revelam que neste mês apenas 62 casos foram positivos, destoando completamente os argumentos do prefeito que determinou o “lockdown” na cidade balneária apenas cinco dias após convidar toda a população (180 mil habitantes) para se aglomerar e participar do tradicional “Lava Bois” em Ribamar.
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No dia que se despediu do Senado, pedetista apresentou atestado médico justificando CID-10: A09 que aponta para “diarréia e gastroenterite de origem infecciosa presumível”.

Atestado médico apresentado por Weverton comprova que ele subiu à tribuna com diarreia…
Na última quarta-feira (6), o senador Weverton Rocha, do PDT, tirou licença de 121 dias para se dedicar a disputa pelo governo do Estado do Maranhão, onde aparece em segundo lugar em todas as pesquisas. Em sua cadeira, fica nesse período o médico e ex-prefeito de Santa Inês Roberth Bringel (União-MA), que tomou posse no mesmo dia.
O acordo feito nos bastidores do Palácio do Planalto, foi costurado com o presidente Jair Bolsonaro, que apoia (por debaixo dos panos) a pré-candidatura de Rocha no Maranhão.
O que poucas pessoas ou quase ninguém sabe é que Weverton estava com um problema de saúde quando subiu na tribuna do Senado para discursar e fazer vídeo publicitário para sua pré-campanha. O pedetista chegou a forçar um choro [lágrimas de crocodilo], que aliás, foi muito criticado pela opinião pública.
O Blog do Domingos Costa apurou, segundo informações que constam no Portal de Transparência do Senado, que Weverton tirou 121 dias de licença, sendo o primeiro dia por “diarréia” [popularmente conhecida como “caganeira”] e os outros 120 dias por interesse particular. Ele fez isso para permitir a convocação do suplente, Bringel.
Conforme atestado médico o qual o Blog do DC teve acesso, consta que o problema de saúde do senador maranhense é CID-10: A09, correspondente a “diarréia e gastroenterite de origem infecciosa presumível”.
Nesse episódio, o detalhe é que Rocha foi para a tribuna do Senado com caganeira. Será se foi por isso que ele chorou?
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Cinco dias após aparecer ao vivo na TV Mirante convidando 180 mil pessoas para participar do lava bois, primeira-dama de São José de Ribamar, Gilvana Duaillibe, convenceu o marido, prefeito Dr. Julinho, a cancelar todos os eventos na cidade por conta da Covid-19.
Partiu da primeira-dama de São José de Ribamar, Gilvana Duaillibe, a perseguição contra a população ribamarense ao ordenar a seu marido, o prefeito Dr. Julinho (PL), que assinasse um decreto cancelando todos os eventos da cidade no período de 16 dias (08 a 24 de julho).
Ocorre que apenas cindo dias antes, a mesma Gilvana Duaillibe apareceu ao vivo no JMTV1, da TV Mirante, convidando toda a população (180 mil habitantes) para se aglomerar na orla marítima da cidade no tradicional lava bois.
Portanto, trata-se de uma grande hipocrisia a decisão do prefeito e da sua esposa. Quer dizer que o coronavirus apareceu exatamente após o enceramento das festividades da prefeitura?
O Blog do Domingos Costa apurou que as medidas adotadas pelo prefeito e sua esposa têm pura motivação política vez que o decreto visa unicamente impedir o funcionamento do Arraial da Família, no bairro do Panaqutira, o qual a realização é da vereadora de oposição a sua gestão, Luciana Lauande.
O evento tem o apoio do governo do Maranhão e pelo fato das atrações culturais do arraial serem infinitamente melhores das que se apresentaram nas festividades da prefeitura, o Arraial da Família iria “abafar” a festa realizada pela municipalidade no mês de junho, esse é o verdadeiro motivo de tanta perseguição.
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Dr. Julinho inventou proibição de festas apenas para prejudicar arraial da oposição…
O prefeito de São José de Ribamar, Dr. Julinho, do PL, decidiu debochar da população ribamarense. Nesta sexta-feira (08), os mais de 180 mil habitantes foram surpreendidos com o decreto “tipo ditador” do gestor ao “inventar” novas medidas sanitárias por conta do aumento dos casos de Covid-19.
De acordo com Dr. Julinho, está proibida a realização de festas ou qualquer tipo de evento que promova aglomerações em São José de Ribamar. Inclusive, a Feirinha Ribamar está suspensa por tempo indeterminado.
Diante da supressa, visto que a prefeitura manteve por mais de um mês um arraial na cidade e ainda fez o tradicional “lava bois” que reuniu milhares de pessoas, o Blog do Domingos Costa foi em busca de saber o que de fato está por trás da decisão do prefeito.
Sem nenhuma surpresa, o motivo da atitude desleal do Dr. Julinho não é de saúde pública, mas sim de teor político partidário. A intenção do prefeito é unicamente prejudicar o Arraial da Família, no bairro do Panaqutira, o qual a realização é da vereadora de oposição a sua gestão, Luciana Lauande.
O evento tem com apoio do governo do Maranhão e diante das atrações culturais será um arraial infinitamente melhor que o da prefeitura.
– Inventou uma barreira sanitária só para perseguir
Para completar a perseguição, já na noite desta sexta-feira (08), o prefeito mandou impor uma barreira sanitária impedindo que diversas atrações participem de São João, conforme mostram os vídeo abaixo.
Diante da situação de pura perseguição, 11 vereadores do município assinaram e emitiram uma nota na qual taxam o prefeito de “covarde e truculento.
“Ditador, aqui, não tem vez! O grupo “Avança, São José”, em nome dos vereadores Dudu Diniz, Aldiran Guerreiro, Moisés Gama, Thays Negão, Cícero da Matinha, Jordão Reis, Professor Cristiano, Mário Santos, Dodo de Santaninha e Divalmir Cutrim, manifesta total solidariedade a vereadora Luciana Lauande, idealizadora do Arraial da Família, em Panaquatira. O prefeito de São José de Ribamar, de forma covarde, e por meio de uma ação truculenta da SMTT, impediu o direito de ir e vir das brincadeiras juninas que iriam se apresentar no Arraial. Vale destacar que a vereadora agiu conforme o decreto de combate à COVID-19, respeitando a capacidade de lotação, de distanciamento social, disponibilizando álcool em gel e a obrigatoriedade de máscara em prol da segurança de todos os ribamarenses. A atitude nefasta, autoritária e ditatorial do prefeito prejudicou todos os cidadãos que fazem parte da cadeia produtiva do São João. Repudiamos esse ato antidemocrático, antipopular e de repulsa a quem oferece um ambiente de entretenimento, lazer e cultura aos moradores de São José de Ribamar. Somos representantes dos ribamarenses, e por eles iremos lutar até o fim! Bloco Avança, São José!”
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Ao Ministério da Saúde, o prefeito de Afonso Cunha informou que seu município – com 6,6 mil habitantes – fez 356 mil consultas, chegando a uma média espetacular de 54 por morador.

Prefeito recebeu milhões do orçamento secreto direcionado pelo senador Weverton Rocha…
A prefeitura de Afonso Cunha, sob a gestão de Arquimedes Bacelar, do PDT, é mais uma das que estão envolvidas na fraude de serviços de saúde para recebimento de recursos do “orçamento secreto” conforme reportagem desta semana publicada pela revista piauí sob o título Farra ilimitada.
A publicação revela que milhões de reais destinados à saúde pública foram derramados em prefeituras maranhenses, em especial, nos municípios sob o domínio do Senador Weverton Rocha (PDT).
De acordo com a reportagem de autoria do jornalista Breno Pires, o prefeito da cidade de 6,6 mil habitantes se incomoda bastante com a presença de repórteres em “seu” município.
Assim que soube que a piauí estava na cidade para avaliar as ações na área da saúde, Arquimedes Bacelar disse pelo telefone celular que não queria falar nada e perguntou qual “adversário político” estava por trás da visita.
Mas sua irmã, Analídia Bacelar, titular da Secretaria de Saúde, fez questão de contar como o município conseguiu 4,7 milhões de reais em 2021. “É garimpar, como a gente chama. É garimpar recursos. É buscar e ir pegar. É como se fosse buscar ouro. É fazer uma busca mesmo. Na hora certa, o orçamento abre”, disse. Quem faz esse trabalho, segundo ela, é o seu irmão. “Ele sabe o caminho das pedras.”
Afonso Cunha informou ao SUS que fez 221,4 mil consultas com especialistas em 2020 – 33 por habitante. É uma centena de vezes mais do que o registrado no ano anterior. (Em 2021, subiu ainda mais: 356 mil consultas, chegando a uma média espetacular de 54 por habitante.) Também informou que fez exatamente 11.391 ultrassonografias transvaginais, um exame preventivo que costuma ser feito anualmente. Dá seis exames transvaginais por ano para cada mulher com 15 anos ou mais.
E informou ter feito exatamente 11.391 ultrassonografias de próstata via abdominal no ano – média de dezessete para cada homem com 40 anos ou mais. Em 2021, a prefeitura deu um número ainda maior e – mais uma vez – idêntico para os dois procedimentos: 18 474 transvaginais e 18.474 exames de próstata.
Segundo a secretária de Saúde, o esforço de “garimpar” emendas ultrapassa os limites do Maranhão. Afonso Cunha, diz ela, recebeu recursos enviados até por uma deputada do Pará. “Não lembro o nome dela, mas é do Pará.” Ela exibe a Unidade Básica de Saúde, que acabou de passar por uma reforma. A secretária está acompanhada por um rapaz que se apresentou como secretário de Obras, encarregado de fotografar e filmar todos os movimentos da reportagem. Ela é expansiva e parece à vontade para falar. Mostra a sala de trabalho onde a equipe da prefeitura preenche os dados de procedimentos e envia para o SUS. “Aqui é o coração”, anuncia.
A certa altura, não se inibe de revelar que as consultas médicas são prestadas por profissionais vinculados ao governo do estado – o que, naturalmente, não deveria constar nos dados informados ao SUS como serviço oferecido pela prefeitura. É mais um indício de que os dados levados ao SUS não são regulares.
Nas catorze cidades maranhenses que a piauí visitou, todas com um histórico de exames e consultas inexistentes para atrair milhões de reais, são poucos os sinais de progresso no sistema de saúde. Às vezes, um posto de saúde passou por uma reforma, como aconteceu em Afonso Cunha. Ou um centro de especialidades médicas foi inaugurado, como em Paulo Ramos. Ou a prefeitura passou a realizar tomografias, como em Igarapé Grande. Mas o grosso do dinheiro está em algum outro lugar.
– Uso do dinheiro da saúde em outras áreas
Há evidências, inclusive, de que o dinheiro da saúde pode estar sendo usado em outras áreas. A piauí teve acesso a dados mostrando que, entre dezembro do ano passado e março deste ano, a cidade de Afonso Cunha, aquela cujo prefeito sabe o “caminho das pedras”, transferiu 492 mil reais da conta de custeio do SUS para uma conta geral da prefeitura.
Um decreto presidencial, baixado em 2011, proibiu esse tipo de transferência porque, uma vez depositado na conta geral, o dinheiro pode ser usado para qualquer outro fim que não o atendimento em saúde da população. Também há suspeitas de que algumas prefeituras estão fazendo outra operação não prevista em lei: usando recursos do SUS para pagar aposentadorias.
LEIA A ÍNTEGRA DA REPORTAGEM DA REVISTA, ((AQUI))
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Prefeita Samia Moreira é esposa de Neto Carvalho (ex-prefeito de Magalhães de Almeida) e sogra do atual prefeito João Igor, de São Bernardo, todos são aliados do bolsonarista senador Weverton Rocha – líder do orçamento secreto no Maranhão.

Prefeita Samia Moreira é esposa de Neto Carvalho, ex-prefeito de Magalhães de Almeida e pai do atual prefeito de São Bernardo, João Igor.
As graves irregularidades identificadas pela reportagem de autoria do jornalista Breno Pires, publicada nesta edição de julho da revista piauí sob o título Farra ilimitada, expuseram o Maranhão novamente de forma negativa na imprensa nacional.
A publicação que foi ao ar esta semana revela que milhões de reais do orçamento secreto destinados à saúde pública foram derramados em prefeituras maranhenses, em especial, nos municípios sob o domínio do Senador Weverton Rocha (PDT).
Com população estimada em 25 mil habitantes, no ano de 2019, Santa Quitéria do Maranhão tinha um limite de 280 mil reais em assistência ambulatorial segundo dados do Ministério da Saúde, que, no ano seguinte, disparou para 4,6 milhões.
“Aumentos assim, de dez a vinte vezes em apenas um ano, é algo que nunca vi”, espanta-se Maria Angélica Borges dos Santos, professora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Ela explica que quedas abruptas até acontecem, quando quebra um aparelho, por exemplo. Mas saltos assim, não.
Cruzando dados dos relatórios de atendimentos médicos no SUS, a revista piauí encontrou a explicação para a disparada dos tetos: as prefeituras estão apresentando números fictícios de serviços de saúde.
– 3.101 exames de HIV
Santa Quitéria do Maranhão, por exemplo, parece ter se tornado uma incrível máquina de consultas, testes de sangue, exames de fígado e – recorde nacional – testes de HIV. Os números que a prefeitura informou ao SUS:
= 96,8 mil atendimentos de urgência por médicos especializados em 2020, o que equivale a quase quatro atendimentos por habitante, um padrão nórdico. Em 2019, um ano antes, o número de atendimentos especializados foi zero.
= 45,2 mil consultas médicas – um ano antes, nenhuma.
= 49 mil dosagens de colesterol (quase duas por habitante) e 52,8 mil exames para identificar lesões no fígado (mais de dois por habitante).
= 59,8 mil eritrogramas (um tipo de exame de sangue) que Santa Quitéria do Maranhão nunca fizera antes, nem voltou a fazer no ano seguinte. Apenas três cidades brasileiras fizeram mais eritrogramas que Santa Quitéria.
E, por fim, o dado mais espantoso:
=3.101 exames Western Blot, usados para confirmar diagnósticos de infecção pelo vírus HIV. Com seus 25,8 mil habitantes, Santa Quitéria do Maranhão conseguiu bater a cidade de São Paulo, que, com 12,4 milhões de habitantes, realizou 2 976 testes do tipo.
– Dinheiro aumentou, saúde piorou e gerou morte
A cidade de Santa Quitéria do Maranhão que inflacionou tanto os números que passou São Paulo em exames do vírus HIV, conseguiu o que queria em 2021: recebeu o teto de 4,6 milhões de reais. O inusitado é que, em vez de promover uma virada na saúde, os serviços médicos desabaram. Em vez dos 847 mil procedimentos do ano anterior – o número que serviu para explodir o teto –, os atendimentos caíram para 136 mil.
As consultas com especialistas diminuíram sete vezes. Os atendimentos de urgência caíram 3,5 vezes. Com tanta redução, o gasto do município caiu para 887 mil reais, um quinto do ano anterior.
A lavradora Carlete Silva, de 23 anos, sentiu o descalabro da pior forma possível. Ela deu à luz às três da madrugada do dia 25 de maio. Gael nasceu com 2,8 kg no Hospital e Maternidade Municipal Dr. Zeca Moreira, o único de Santa Quitéria. Mas, logo depois do parto, o bebê apresentou sinais de desconforto respiratório.
“Ele todo roxo. Eu falei para a enfermeira: isso não está normal, não”, conta Sara Silva, avó de Gael. No hospital, não havia pediatra, nem incubadora, nem uti. Depois de oito horas sem conseguir estabilizar o recém-nascido, a equipe do hospital decidiu transferi-lo, mas não havia ambulância com uti móvel e, para piorar a carência, o hospital regional, localizado na cidade vizinha de Chapadinha, tampouco tinha uti neonatal.
Gael morreu enquanto era transportado para um hospital em Parnaíba, já no estado do Piauí, a cerca de 140 km de Santa Quitéria. Francisco Edson, o pai, acredita que faltou assistência médica e até hoje não se conforma com a demora do hospital em transferir seu filho para um lugar com mais recursos.
Carlete quase culpa a si mesma. “Se eu tivesse tido ele em outro lugar, com UTI, essas coisas, talvez ele tivesse sobrevivido.” A Secretaria Municipal de Saúde, com o caixa supostamente abarrotado de dinheiro com a queda abrupta dos atendimentos, comprou uma incubadora dias depois da morte de Gael. Uma incubadora custa menos de 40 mil reais.
Situação idêntica ocorreu no município de São Bernardo, onde João Igor, do PDT, é genro da prefeita Samia Moreira. A cidade situada na divisa com o Piauí, pulou de 720 mil reais para 4,2 milhões.
– Fraude na regra
Em 2015, mediante uma mudança na Constituição que tornou obrigatório o pagamento das emendas orçamentárias individuais, os deputados e senadores passaram a ter o direito de mandar verbas da saúde para os municípios de sua escolha, mas com um limite: o valor das remessas não pode ser superior à quantia que o município informou ter gastado no ano anterior. Como então os parlamentares fazem emendas tão polpudas para cidades maranhenses? Conferindo os dados do Departamento de Informática do SUS (DataSUS), a piauí identificou que os municípios estão informando que seus gastos tiveram um salto de um ano para o outro, o que eleva o teto do que podem receber no ano seguinte.
A análise dos relatórios de atendimentos enviados ao SUS mostra que as cidades do Maranhão dobraram seus números entre 2018 e o ano passado. É o único estado em que isso aconteceu. Com dados tão inflados, as cidades do Maranhão, sozinhas, estão recebendo mais recursos para a saúde do que o destinado a outras unidades da federação.
Pela geografia financeira e política, o esquema é uma conexão direta entre Brasília e as cidades do interior do Maranhão. No nível municipal, montou-se uma máquina de exames e consultas fantasmas, listando serviços de saúde que as prefeituras, na verdade, jamais prestaram. No nível federal, abastecendo o esquema com milhões de reais, está o orçamento secreto, aquele instrumento que o governo de Jair Bolsonaro criou para comprar o apoio no Congresso, principalmente dos integrantes do Centrão, o núcleo mais fisiológico do Parlamento.
LEIA A ÍNTEGRA DA REPORTAGEM DA REVISTA, ((AQUI))
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EXAMES E CONSULTAS FANTASMAS: Em Igarapé Grande, só as consultas com especialistas bateram em 385 mil, o que dá uma média de 34 consultas por habitante, um padrão que supera o recorde mundial, estabelecido pela Coreia do Sul, onde a média anual chega a 17 consultas por habitante.

Êrlanio e seu irmão Júnior, fraudaram dados de serviços médicos para receberem milhões do Orçamento Secreto a pedido de Weverton Rocha.
Uma reportagem de autoria do jornalista Breno Pires, publicada nesta edição de julho da piauí sob o título Farra ilimitada, revela que milhões de reais do orçamento secreto foram derramados em prefeituras maranhenses, em especial, nos municípios sob o domínio do Senador Weverton Rocha (PDT), como no caso de Igarapé Grande e Bernardo do Mearim, respectivamente, administradas por Erlânio Xavier (braço direito do pedetista) e seu irmão Júnior Xavier.
Há dois meses, a piauí começou a investigar o caso. Tudo começou em Igarapé Grande, uma pacata cidade de 11,5 mil habitantes na região central do Maranhão, situada a 300 km de São Luís. Em 2018, os atendimentos MAC na cidade estavam em 123 mil. No ano seguinte, quando o orçamento secreto dava seus primeiríssimos passos em Brasília, explodiram para 761 mil. Só as consultas com especialistas bateram em 385 mil, o que dá uma média de 34 consultas por habitante, um padrão que supera o recorde mundial, estabelecido pela Coreia do Sul, onde a média anual chega a 17 consultas por habitante.
Com a profusão de exames e consultas fantasmas, Igarapé Grande aumentou muito seu teto orçamentário e conseguiu atrair 3,9 milhões de reais do orçamento secreto em 2020. Nesse mesmo ano, voltou a inflar seus números. Chegou a informar que fez mais de 12,7 mil radiografias de dedo de mão – ficando atrás apenas de São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. Assim, em 2021, conseguiu ainda mais recursos do orçamento secreto: 6,7 milhões, o que lhe valeu a medalha de ouro no per capita nacional.
O sucesso de Igarapé Grande logo contagiou a vizinha Bernardo do Mearim. Na eleição municipal de novembro de 2020, os bernardenses elegeram Arlindo de Moura Júnior Xavier (PDT) para prefeito. Ele é irmão de Erlanio Xavier, o prefeito de Igarapé Grande, e Bernardo do Mearim aderiu ao esquema de imediato. De janeiro a outubro de 2020, a prefeitura registrara 2 240 consultas especializadas. Nos dois últimos meses do ano, porém, já com Júnior Xavier eleito, as consultas dispararam para 235,6 mil, atingindo uma média exorbitante de 39 consultas por habitante no ano.
Com isso, a prefeitura ampliou seu teto de gastos para 3 milhões de reais e, no ano seguinte, recebeu o teto. A parte mais significativa – 2,5 milhões – veio do orçamento secreto. “Hoje nós temos ginecologista, mastologista, ortopedista, pediatra, fisioterapeuta, assistente social, fonoaudiólogo. Nós temos otorrino. Nós temos em torno de umas dezessete especialidades”, disse o secretário da Saúde, Francisco da Conceição Moraes, de 46 anos, na tarde de uma quinta-feira de junho. No mesmo dia, a piauí visitou o hospital municipal. Encontrou apenas um clínico geral. Por volta das 17 horas, a revista se preparava para visitar a Unidade Básica de Saúde quando foi informada de que as atividades já haviam sido encerradas.
Com o exemplo de Igarapé Grande e Bernardo do Mearim, outras cidades maranhenses ligadas ao PDT tomaram o mesmo caminho. Dezenas de milhões de reais chegaram aos cofres das prefeituras apoiadoras do Senador Weverton Rocha em forma de verbas de emendas parlamentares para pagar exames e consultas com profissionais especializados, gastos que fazem parte da chamada atenção de “média e alta complexidade” – ou MAC, no jargão da saúde.
É bastante dinheiro. É mais do que receberam as secretarias de saúde de onze capitais, entre elas Florianópolis, Natal, Vitória, Belém e Manaus.
Sobre verbas per capita, Igarapé Grande levou a medalha de ouro: 590 reais por habitante. Nenhuma outra cidade do Brasil, entre capitais ou interior, conseguiu tanto dinheiro per capita.
Numa coincidência rara, todas essas cidades com altos valores per capita ficam no Maranhão, estado que concentra pouco mais de 3% da população brasileira. Dos 10 municípios recordistas, 9 são maranhenses.
Entre as 30 cidades brasileiras mais bem aquinhoadas por habitante, o Maranhão emplaca 23. Mais notável ainda é que a fatia do Maranhão nas verbas de saúde vem crescendo em ritmo acelerado. Em 2020, o estado ficou em sétimo lugar no ranking nacional. No ano passado, subiu para a quinta posição, atrás apenas de estados maiores: Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro. Agora, contabilizadas as liberações feitas até o mês de junho, o Maranhão está no topo.
– Propina com apelido de “volta”
A reportagem lembra que o novo escândalo do orçamento secreto é na área da saúde. Em maio passado, o jornal O Globo começou a tratar do assunto em uma publicação na qual mostrou que o governo Bolsonaro havia entregado o controle das verbas da saúde para os aliados no Congresso, que, por sua vez, vinham turbinando os recursos do Fundo Nacional de Saúde via orçamento secreto. De 2019 a 2021, informou o jornal, as verbas do FNS cresceram 112% e o grosso do dinheiro é destinado para os redutos eleitorais de caciques do Centrão. O que não se sabia é que há um outro fluxo das verbas que percorre um notável circuito de fraudes: as prefeituras falsificam informações ao SUS para inflar seu teto orçamentário, os parlamentares mandam verbas no volume inflado e o município recebe uma bolada – mas não termina aí.
Uma parte das verbas – que em alguns casos pode chegar a até 30% do total dos recursos enviados à prefeitura – vira o que os corretores de propina em atividade no Congresso Nacional chamam de “volta”. A “volta” é a quantia de dinheiro que a prefeitura devolve ao parlamentar que assinou a emenda beneficiando o município. É uma propina paga com verba da saúde. “Ninguém fala porque é preciso ter provas concretas, mas a ‘volta’ é voz corrente no Congresso”, diz um deputado, que já ocupou altos postos de comando na Câmara. Às vezes, a “volta” faz parte do acordo desde o início. Outras vezes, a cobrança chega sem aviso prévio, na base da extorsão. O deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA) é investigado pela Polícia Federal pelo uso de grupos armados na hora de extorquir prefeitos.
A existência da “volta” explica por que há parlamentares que gostam tanto do orçamento secreto, pois a identidade do autor da emenda não é divulgada. É um plano engenhoso, que oferece recursos à farta e anonimato garantido
Nas catorze cidades maranhenses que a piauí visitou, todas com um histórico de exames e consultas inexistentes para atrair milhões de reais, são poucos os sinais de progresso no sistema de saúde. Às vezes, um posto de saúde passou por uma reforma, como aconteceu em Afonso Cunha. Ou um centro de especialidades médicas foi inaugurado, como em Paulo Ramos. Ou a prefeitura passou a realizar tomografias, como em Igarapé Grande. Mas o grosso do dinheiro está em algum outro lugar.
LEIA A ÍNTEGRA DA REPORTAGEM DA REVISTA, ((AQUI))
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