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Reprodução: Valor
É uma das maiores reduções feita de uma só vez em sua história recente já que nas últimas duas gestões da rede, as diminuições de unidades e de pessoal tinham sido de forma mais dispersa

A Casas Bahia fez duros cortes em sua operação após trimestres de prejuízo e montou um pacote de demissões e de fechamentos de lojas, com boa parte dos efeitos entre a quinta-feira (13) e a sexta-feira (14), apurou o Valor.
Isso é parte de um plano em andamento de redução de despesas que a rede deve abrir com mais detalhes ao mercado nos próximos dias.
Segundo fontes, a empresa está fechando 298 lojas hoje, de um total de pouco mais de mil unidades no Brasil, com base em dados de março , ou seja, 28,7% de seu total de pontos no país. É uma das maiores reduções feita de uma só vez em sua história recente já que nas últimas duas gestões da rede, as diminuições de unidades e de pessoal tinham sido de forma mais dispersa, e na faixa de 20 a 30 lojas ao ano, segundo informações que constam nos balanços financeiros.
Em relação às demissões, foram 600 pessoas na quinta-feira e estão planejadas entre 1,3 mil e 1,4 mil nesta sexta, segundo duas fontes. Na soma total, isso equivale a 6,7% da base de empregados da varejista. Uma terceira pessoa a par do volume de funcionários presentes na estrutura que será desligada estima que esse número total pode chegar a 3 mil.
Uma das dúvidas será o impacto nas despesas operacionais dessa redução de pessoal e de unidades, já que esse tipo de reestruturação, inicialmente, implica em gastos iniciais para a varejista.
O elevado endividamento da população, que vem reduzindo o poder de compra, além do cenário de perdas seguidas da empresa levaram à necessidade de ações mais enérgicas na Casas Bahia.
A empresa entrou em recuperação extrajudicial em 2024 por conta de um desequilíbrio em sua estrutura de capital, e isso foi resolvido numa negociação com bancos, mas vendas pressionadas e altas despesas financeiras ainda afetam a última linha do balanço.
A tentativa de fechar esse plano de forma mais organizada levou a rede a alterar a data de publicação de seu balanço. Procurada, a empresa ainda não se manifestou.
A empresa adiou a publicação de seu relatório de resultados do segundo trimestre da quarta-feira (12) para a sexta-feira (14), com data da teleconferência para o dia 17.
O Valor apurou que a empresa continua a adiar pagamentos a lojistas de seu marketplace, nos pagamentos de pix, e buscado estender prazos de pagamentos à indústria na tentativa de melhorar o seu ciclo financeiro.
Nos últimos 12 meses (até março), já existiam encerramentos de lojas, mas bem menos relevantes: entre aberturas e fechamentos, foram fechadas 26 lojas, sendo 12 no formato Casas Bahia e 14 no formato Ponto Frio.
“Seguimos rigorosos no acompanhamento da performance de cada loja e centro de distribuição, direcionando ações corretivas e, se necessário, encerrando operações que não geram valor”, disse a companhia em seu relatório de resultados do primeiro trimestre.
Ao fimde 2025, a empresa tinha 1.042 lojas, número inferior ao total de 1.064 do ano anterior. Entre as marcas do grupo, pouco mais de 90% era da Casas Bahia e 10% eram da rede Ponto Frio.
Ao se considerar 2023, no fim daquele período eram 1.078 pontos das duas cadeias.
Um dos principais desafios da Casas Bahia é voltar a gerar caixa de forma recorrente, voltar a dar lucro e ter equilíbrio na venda entre seus canais — físico e digital.
A companhia vem passando há anos por um processo de reestruturação para tentar ter uma geração de caixa mais consistente e sair do vermelho. A rede teve um prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão de janeiro a março, mais que o dobro do ano anterior.
Em 2025, a perda foi de R$ 3 bilhões, para o valor não ajustado consolidado, três vezes superior ao do ano anterior. No primeiro trimestre, a companhia reduziu a dívida líquida, e parte importante desse movimento veio da conversão de dívida de credores em capital.
Um processo negociado de conversão de debêntures emitidas em ações da rede teve peso nesse movimento, reduzindo a pressão dos compromissos financeiros. A operação reduziu a pressão sobre a estrutura de capital, mas a companhia ainda perde dinheiro na linha final do balanço, com a pressão das despesas financeiras, que refletem a alta dos juros básicos.
A Casas Bahia vem crescendo por causa de seu desempenho no digital, porque as lojas físicas sentem a retração do encolhimento do metro quadrado, após o fechamento de dezenas de lojas.
No primeiro trimestre, a receita bruta consolidada cresceu 6,4% frente ao mesmo período de 2025, para R$ 8,8 bilhões. O aumento é explicado principalmente pelo crescimento da receita do braço on-line.
A unidade de marketplace (plataforma de produtos de terceiros) e das lojas físicas apresentaram retração de 0,6% e de 1,8%, respectivamente. Foi a venda no digital de produtos próprios — que tem sido comercializados, em parte, pelo canal do Mercado Livre — que tem tido resultados mais positivos. No começo do ano, essa venda cresceu 26%.
A margem bruta, no entanto, não cresceu, mantendo a faixa de 30,3% de janeiro a março.


Até onde pode ir uma investigação quando, no caminho, surge a identidade de uma possível fonte jornalística? O recente episódio envolvendo o STF reacende uma discussão que ultrapassa tribunais e redações: a proteção de quem fornece informações de interesse público. Curiosamente, o tema encontra eco em O Mago do Kremlin, de Giuliano da Empoli, adaptado para o cinema.



